Magnetismo e Espiritismo

revista espírita março 1858

O magnetismo já era um fenômeno estudado antes de o Espiritismo surgir como doutrina, filosofia e ciência.

Allan Kardec diz: com efeito, baseando-se ambas na existência e na manifestação da alma, longe de se combaterem, podem e devem prestar-se mútuo apoio, pois elas se completam e se explicam mutuamente. Entretanto, seus respectivos adeptos discordam em alguns pontos: certos magnetistas ainda não admitem a existência ou, pelo menos, a manifestação dos Espíritos.

Kardec enfatiza que, no começo de uma ciência ainda tão nova, é muito fácil com que cada um, olhando as coisas de seu ponto de vista, dela forme uma ideia diferente. As ciências mais positivas tiveram sempre, e têm ainda, suas escolas, que sustentam ardorosamente teorias contrárias. Os sábios têm levantado escola contra escola, bandeira contra bandeira e, muitas vezes, para sua dignidade, as polêmicas se tornaram irritantes e agressivas para o amor próprio ofendido e ultrapassaram os limites de uma sábia discussão.

Os magnetistas baseiam-se no fato de que tudo podem explicar pela ação dos fluidos. Ao contrário, os adeptos do Espiritismo são todos concordes com o magnetismo por meio de fenômenos sonambúlicos.

Passe: uma das formas de transferência do magnetismo animal e espiritual.

O magnetismo preparou o caminho para o Espiritismo, e os rápidos progressos desta última doutrina são incontestavelmente devidos à vulgarização das ideias sobre a primeira. Sua conexão é tal que, por assim dizer, é impossível falar de um sem falar do outro. Se tivermos que ficar fora da Ciência do magnetismo, nosso quadro ficará incompleto. Por meio do magnetismo induzido, segundo O Livro dos Espíritos, há a relação entre o sonambulismo natural e os sonhos, ou seja, de acordo com essa obra pioneira da Doutrina Espírita, durante o sonambulismo, a alma pode fluir livremente, fazendo com que o corpo reaja de acordo com o que a alma vê. 

Ele espera que os sectários do magnetismo e do Espiritismo, melhor inspirados, não deem ao mundo o escândalo de discussões muito pouco edificantes e sempre fatais à propagação da verdade, seja qual for o lado em que ela esteja.

Kardec é muito fiel aos leitores e, discorrendo sobre o inimigos do Espiritismo, diz: devíamos esta profissão de fé, que terminamos com uma justa homenagem aos homens de convicção que enfrentando o ridículo, o sarcasmo e os dissabores, dedicaram-se corajosamente à defesa de uma causa tão humanitária.

Finalizando o texto, o codificador, conclui que, graças aos esforços perseverantes de muitos contemporâneos da elite parisiense, o magnetismo, popularizado, fincou pé na Ciência oficial, onde já se fala dele aos cochichos. Este vocábulo passou à linguagem comum: já não afugenta e, quando alguém se diz magnetizador, já não riem mais na sua cara.

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O Período Psicológico

Kardec traz à reflexão o fato de que o Espiritismo entrava, passados os momentos iniciais de manifestações puramente materiais, no Período Psicológico.

Discorda, todavia, que a Ciência humana estaria encerrada: muito longe disso, ainda teria muito a se desenvolver, no futuro.  

Para melhor entender o artigo, precisamos entender o significado de Psicologia no contexto de Allan Kardec e no contexto atual.

A Psicologia atual

A Psicologia, nos dias atuais, de característica terapêutica materialista, tem 3 vertentes:

Behaviorismo
Tem como objeto de estudo o comportamento. Essa teoria psicológica defende que a psicologia humana ou animal pode ser objetivamente estudada por meio de observação de suas ações, ou seja, observando o comportamento.  Os Behavioristas acreditam que todos os comportamentos são resultados de experiência e condicionamentos.

Psicologia da forma (Gestalt)
É uma doutrina da psicologia baseada na ideia da compreensão da totalidade para que haja a percepção das partes.  A proposta deste modelo é associar praticas cognitivas com as emoções e sentimentos do paciente, para que ele possa enxergar novos meios de encarar as situações difíceis da vida.

Psicologia analítica (Psicanálise)
Psicologia analítica, também conhecida como psicologia junguiana ou psicologia complexa, é um ramo de conhecimento e prática da Psicologia, iniciado por Carl Gustav Jung. Ela enfatiza a importância da psique, do inconsciente, dos arquétipos e do processo de individuação.

A Psicologia no contexto de Kardec

No contexto de Kardec, a Psicologia não tinha a característica terapêutica materialista de hoje: ela era uma ciência moral, espiritualista, inserida no contexto do Espiritualismo Racional, e seu principal objetivo era investigar e analisar as leis naturais que regem a natureza humana, inclusive de forma experimental.

Nesse contexto, a Psicologia compreendia o ser humano como um ser constituído de corpo e de alma. A alma, que sobreviveria ao corpo, era a causa primária da psique, não sendo esta um efeito apenas material de química e estímulos.

Antes de Allan Kardec, ou antes do Espiritualismo Racional, a filosofia tradicional tratou da alma de forma especulativa, por meio de sistemas criados por pensadores como Platão, Aristóteles, Leibniz e Kant. O advento da psicologia experimental abriu novo caminho: o das ciências filosóficas, que o Espiritismo vem complementar. Nas palavras de Allan Kardec:

O Espiritismo, a seu turno, vem dar a sua teoria. Ele se apoia na psicologia experimental; ele estuda a alma, não só durante a vida, mas após a morte; ele a observa em estado de isolamento; ele a vê agir em liberdade, ao passo que a filosofia ordinária só a vê em união com o corpo, submetida aos entraves da matéria, razão pela qual muitas vezes confunde causa e efeito

 Allan Kardec – R.E. – Maio de 1864

A psicologia é a ciência que estuda os processos mentais (sentimentos, pensamentos, razão) e o comportamento humano. Deriva-se das palavras gregas: psiquê, que significa “alma” e logia, que significa “estudo de”.

E de que forma o Espiritismo estuda a alma? Através dos fenômenos espíritas que, contudo, não são mais estudados apenas pelo entretenimento ou pela curiosidade, mas, justamente, com o fim de investigar as leis naturais que regem a natureza humana!

E por que tudo isso acabou?

O fim do período psicológico, ou, antes, o crepúsculo das Ciências Filosóficas, segundo Paulo Henrique de Figueiredo, se deu por conta da união do poder da Igreja com o Estado Ditatorial, que eram hostis ao esclarecimento da sociedade e contra a doutrina liberal defendida pelo Espiritualismo Racional.

Importa dizer: o liberalismo nesse contexto não diz respeito a uma liberdade desenfreada, fruto do egoísmo, mas sim a uma liberdade conduzida pela razão e iluminada pela consciência.

Aliado a isso, um forte movimento materialista começa a se levantar na Alemanha, por volta de 1860, e acaba por invadir a França, onde destitui as Ciências Morais da cátedra oficial.

E no Brasil? O Espiritualismo Racional, que formou a primeira escola filosófica estabelecida no país e que chegou a ser implantado na estrutura curricular de ensino, também se deparou com

 […] condições adversas que os primeiros indivíduos conscientes da teoria original enfrentaram quando pretenderam criar um movimento espírita brasileiro. Uma Igreja combativa, lutando para manter seus privilégios e o poder que se esvaía desde o Segundo Império. E uma corrente científica materialista, embalada pelos pensamentos retrógrados de Comte e dos fisiologistas alemães, como Vogt, Moleschott, Virchow e Büchner. A corrente espiritualista racional, bravamente defendida pela liderança de Gonçalves de Magalhães e Porto-Alegre, que se tornaram divulgadores do magnetismo animal e depois do Espiritismo, apesar de contagiar professores e estudantes de seu tempo, logo foi silenciada e esquecida. Em realidade, não foi possível estabelecer em nossas terras o cenário favorável que Kardec encontrou na França

Paulo Henrique de Figueiredo – Autonomia: a história jamais contada do Espiritismo

O resultado disso tudo é o que vemos hoje: uma sociedade totalmente materialista, voltada aos prazeres da carne e esquecida da espiritualidade, amedrontada ante a vida e desesperada ante o túmulo!

O que esperar para o futuro?

Apenas o melhor, porque, da mesma forma que o Espiritualismo Racional nasceu em oposição ao materialismo da época, vivemos agora um fervilhar de iniciativas como a nossa e ainda melhores, que, com certeza, produzirão, em alguns anos, frutos importantíssimos para esta época de mudanças que atravessamos!

Lembra Kardec, com o que encerramos o artigo:

Esses excessos, entretanto, têm a sua utilidade, a sua razão de ser. Eles assustam a sociedade, e o bem sai sempre do mal; é preciso o excesso do mal para fazer sentir a necessidade do melhor, sem isto o homem não sairia de sua inércia

(KARDEC, [RE] 1868, p. 201)




O Sr. Home II

revista espírita março 1858

O Sr Home já havia sido citado por Allan Kardec na edição da Revista Espírita do mês de fevereiro. Kardec parece manter uma afeição grande pela mediunidade e características pessoais do Sr. Home. Nele, vemos um homem dotado de uma faculdade surpreendente. É um jovem de 24 anos, estatura mediana, louro e cuja fisionomia melancólica nada tem de excêntrica; é de compleição muito delicada, de costumes simples e meigos, de caráter afável e benevolente, sobre o qual o contato das grandezas nem lançou arrogância nem ostentação. Dotado de excessiva modéstia, jamais faz alarde de sua maravilhosa faculdade.

Leia a Revista Espírita que aborda o primeiro artigo sobre o Sr. Home clicando AQUI!

O Sr. Home é um médium de diversas faculdades com destaque para as de fenômenos físicos e manifestações inteligentes que, por não ser escrevente, as respostas dos Espíritos são dadas por batidas vibradas.

O que chama a atenção do Sr. Home a despeito de sua mediunidade é que nele a faculdade está desenvolvida de modo excepcional. Sob a influência do Sr. Home fazem-se ouvir os ruídos mais retumbantes e todo o mobiliário de uma sala pode ser revirado e os móveis amontoados uns sobre os outros. Além disso, ele próprio gravita sem se aperceber do fato.

Outro dom notável de todas as suas manifestações produzidas é o das aparições, razão por que nelas mais Kardec insistiu rm comentar, à vista das graves consequências daí decorrentes e da luz que elas lançam sobre uma porção de outros fatos. O mesmo se dá com os sons produzidos no ar; instrumentos de música que tocam sozinhos, etc.

Kardec arremata o artigo falando que a religião nos ensina a existência da alma e a sua imortalidade; o Espiritismo dá-nos a sua prova viva e palpável, não mais pelo raciocínio, mas pelos fatos e que a Doutrina Espírita nos mostra a felicidade na prática das virtudes evangélicas; ela lembra ao homem os seus deveres para com Deus, para com a Sociedade e para consigo mesmo. 

Em nova investida, Kardec conclui que:

“Ajudar na sua propagação (do Espiritismo) é desferir um golpe mortal na chaga do cepticismo que nos invade como um mal contagioso. Honra, pois, aos que empregam nessa obra os bens com que Deus os favoreceu na Terra!”




Fluido Cósmico Universal – Princípios Gerais

Allan Kardec foi, acima de tudo, um estudioso. Logo no começo capítulo do Livro dos Espíritos (Capítulo II – Dos Elementos Gerais do Universo, 2. Espírito e Matéria item 27.), aparecem termos novos como Fluido Universal, ou FLUIDO CÓSMICO UNIVERSAL. É sobre ele que pretendemos tratar aqui.

De antemão recomendamos ao leitor o estudo da obra Mesmer: a ciência negada do magnetismo animal, de Paulo Henrique de Figueiredo.

O Fluido Cósmico Universal é uma hipótese que explica muito dos manifestações e fenômenos espirituais, por isso seu entendimento é tão importante para o estudante da Doutrina Espírita. No seu último livro, A Gênese os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo , Allan Kardec concluiu toda a Doutrina Espírita. Nela tem um capítulo todo dedicado aos Fluídos, capítulo XIV. Sugiro a Edição nova da FEAL por conter uma tradução mais fiel a primeira edição de Kardec de janeiro de 1868. Vale a leitura. (Nota: As edições publicadas atualmente no Brasil são de A Gênese da 5ª edição francesa em diante, que adulterada por um antigo auxiliar envolvido com outras ideias.)

O Fluído Cósmico Universal foi descrito pela primeira vez por Frans Anton Mesmer, em 1784. Ele era um médico alemão que viveu entre 1734 e 1815. Ele desenvolveu a Teoria do Magnetismo Animal.

Em 1775, após muitas experiências, Mesmer reconhece que pode curar mediante a aplicação de suas mãos. Ele declara: “De todos os corpos da Natureza, é o próprio homem que com maior eficácia atua sobre o homem”. A doença seria apenas uma desarmonia no equilíbrio da criatura, opina ele. Mesmer, que nada cobrava pelos tratamentos, preferia cuidar de distúrbios ligados ao sistema nervoso. Além da imposição das mãos sobre os doentes, para estender o benefício a maior número de pessoas, magnetizava água, pratos, cama, etc., cujo contato submetia os enfermos.

Artigo da FEB

Sua teoria é de que todos os fenômenos da natureza tem origem em um único principio, A matéria originária de todo universo: o Fluído Cósmico Universal, por quê? Porque todos os fenômenos se explicam a partir dele.
E como ele explica?

Ele vai conceber a hipótese de que a natureza funciona por meio de estados de vibração. Cada estado do Fluído Cósmico Universal, que é por onde há a vibração, teria graus de sutileza. E a vibração de cada um desses graus resultariam em fenômenos diferentes. Ele falava de que seriam ondas eletromagnéticas só que em outras palavras… O “probleminha” é que ainda não havia estudo sobre ondas eletromagnéticas ainda, nem se sabia se existiam… Na época, século XVIII, eles acreditavam que não existia nada entre as moléculas. O Fluido seria por onde o transmissão acontece.

Nota: Magnetismo é a denominação dada aos estudos dos fenômenos relacionados com as propriedades dos imãs. Os primeiros fenômenos magnéticos foram observados na Grécia antiga, em uma cidade chamada Magnésia. Os primeiros estudos realizados nessa área foram feitos no século VI a.C. por Tales de Mileto, que observou a capacidade de algumas pedrinhas, que hoje são chamadas de magnetita, de atraírem umas às outras e também ao ferro. Já a primeira aplicação prática do magnetismo foi encontrada pelos chineses: a bússola, que se baseia na interação do campo magnético de um imã (a agulha da bússola) com o campo magnético terrestre. No século VI, os chineses já dominavam a fabricação de imãs. Os estudos sobre o magnetismo somente ganharam força a partir do século XIII, quando alguns trabalhos e observações foram feitos sobre a eletricidade e o magnetismo, que ainda eram considerados fenômenos completamente distintos. Essa teoria foi aceita até o século XIX. Os estudos experimentais na área foram feitos pelos europeus. Pierre Pelerin de Maricourt, em 1269, descreveu uma grande quantidade de experimentos sobre magnetismo. Devem-se a ele as denominações polo norte e polo sul às extremidades do imã, bem como a descoberta de que a agulha da bússola apontava exatamente para o norte geográfico da Terra. A grande revolução nos estudos do magnetismo foi feita por Oesterd, em 1820. Ele descobriu que fenômenos elétricos e magnéticos estão inter-relacionados. De acordo com essa teoria, denominada eletromagnetismo, cargas elétricas em movimento geram campo magnético, e campo magnético em movimento gera corrente elétrica. Esses estudos foram finalizados por Maxwell que estabeleceu bases teóricas sólidas sobre a relação entre o campo elétrico e o magnético, ou seja, as ondas eletromagnéticas.

Dr. Mesmer acreditava que o MAGNETISMO ANIMAL, ou seja, do princípio vital, era força natural invisível possuída por todos os seres vivos/animados (humanos, animais, vegetais, etc.). Ele acreditava que tal força poderia ter efeitos físicos, incluindo propriedades de cura. Essa teoria é conhecida como MESMERISMO.

Ele dizia que a matéria mais densa está “vibrando” as ondas materiais através do fluido.

Vamos exemplificar, para ilustrar: imaginem o vento/pressão fazem ondas da água; depois as ondas do ar, um pouco mais sutis que a da água, resultariam no fenômeno do som; ondas mais sutis geram o fenômeno da luz, que seria, para ele, a vibração da matéria num estado mais sutil ainda. É o máximo que conseguimos observar.
Então, Mesmer vai conceder uma hipótese: depois do fluido da luz, teria algo ainda mais sutil, que receberia a vibração de nossos pensamentos e de nossa vontade. E esses vibrações de pensamentos e vontade, então, se estenderiam por todo o Universo a partir de um foco que é cada um de nós. E que o sistema nervoso de outros indivíduos poderiam interpretar esse pensamento.

Observação: Hoje se sabe que a luz é um tipo de onda eletromagnética visível, formada pela propagação em conjunto de um campo elétrico e um magnético. Como é característico da radiação eletromagnética, a luz pode propagar-se através de diversos meios e sofrer alterações de velocidade ao passar de um meio de propagação para outro. A luz pode propagar-se no vácuo com velocidade de aproximadamente 300 mil km/s. As frequências de luz que são visíveis ao olho humano são chamadas de espectro visível, essas ondas têm comprimentos entre 400 nm 700 nm. Ondas eletromagnéticas que apresentam frequências menores que a da luz visível são chamadas de infravermelho, enquanto as que apresentam frequências maiores são chamadas de ultravioleta. Na época de Mesmer não havia esse entendimento, ainda… Eles acreditavam que sempre havia um fluido, como fluido magnético, fluido elétrico, fluido clórico, etc. e a teoria vigente era mecanicista, ou seja, tudo era transmitido de uma molécula a para outra.

Dr. Mesmer realizou uma serie de experimentos com aplicações de suas mãos para cura das pessoas. Ele percebeu que seus pacientes, quando despertos, influenciavam a percepção na hora da cura. Ele, então, imaginou o seguinte: se eu colocar esse paciente em estado de sono, adormecendo o corpo (seria nossa hipnose de hoje), ele começaria a perceber a sutileza da vibração do pensamento dos outros. Essa foi a forma dele explicar a lucidez sonambúlica por esse método. Ele vai conceder a existência de um 6o. Sentido, que, para ele, estaria no nosso sistema nervoso(não pensava que era algo espiritual). Ele também vai perceber estados de vibração acima da luz, seria estado de vibração do fluido cósmico universal que teria ondas de pensamento. O Fluído é o meio por onde o pensamento da vontade da cura alcançava o paciente.

Mesmer diz assim: por isso que eu, somente pensando na pergunta, o sonâmbulo, que está percebendo tudo por meio do sexto sentido, capta meu pensamento.

Citação de Paulo Henrique de Figueiredo em palestra para o Canal Espiritismo Para Todos em 01/02/2021

A hipótese de Mesmer foi que a matéria é a mesma em estados diferentes. E quem age na matéria é o movimento deste sexto sentido a partir do nosso sistema nervoso.
Mesmer falou de condições da matéria muito quintessenciada, mais sutil, onde o pensamento pode agir. Isso seria o mundo espiritual só que ele, na época, não usou o “mundo espiritual” para explicar…
Ele sabia que num determinado ponto era tão sutil a matéria que era possível o pensamento agir lá.

Quando ele fazia as curas ele estava conversando com o eu fora da matéria. “Ele conversava com o Espírito, por pensamento. Era muito avançada sua proposta.”

Kardec diria sobre Mesmer.

Lá pela década de 1850, cerca de 70 anos depois, Allan Kardec começou seus estudos. Ele não teve acesso a toda obra de Mesmer, mas os Espíritos sabiam, conheciam e dialogavam sobre o princípio de Mesmer com ele. Os Espíritos vão explicar que não é um órgão da fisiologia do corpo que percebe as vibrações do pensamento, mas sim nosso Períspirito( que é um meio do qual o Espírito pode se comunicar com o corpo). Kardec, então, desenvolveu a hipótese de que o Espírito quem ativa o fluido através do pensamento-vontade e o movimenta. Seria o princípio inteligente.

Então tem uma diferença de Mesmer que concebeu uma Hipótese e o Espiritismo que trabalha a partir da observação dos Espíritos da realidade do mundo espiritual.

Mesmer nunca pensou em períspirito. Ele não podia “inventar” alguma coisa tão longe assim. Ele imaginava que era o sistema nervoso que percebia as vibrações do pensamento. Nunca que seria um fluido perispiritual de um princípio espiritual não pertencente ao mundo material. Kardec, então, explicava os fenômenos a partir dessas hipóteses de Mesmer quanto a matéria. E os Espíritos vão explicar a Kardec que não,  “o nosso pensamento vibra realmente uma matéria, mas essa matéria não pertence ao nosso universo “. Essa matéria é espiritual.

Então, os Espíritos explicaram assim: nós temos 3 coisas no Universo: Deus, matéria e Espírito. A matéria é inerte, e estaria representada pelo Fluido Cósmico Universal, por ela ser inerte, ela não tem forma nenhuma. Para que surja uma forma, alguém tem que pensar. Então o Espirito, na sua condição mais simples, quando ele pensa( ou tem vontade), a forma que surge na matéria é da mais simples partícula.

E o que é essa unidade do Fluido Universal? Ela é como se fosse o pensamento de Deus. Mas como Deus criou em todos os tempos, tem Espíritos de toda escala evolutiva: tem os seres que vivem no reino vegetal, no Reino animal, tem os Espíritos humanos que vão desde o simples ignorante até o Espirito puro, tudo isso concomitante.  E entre nós, Espíritos em processo evolutivo, nenhum é igual ao outro. Se um indivíduo, com suas características, vai refletir aquilo que é, que é diferente do que outra forma de outro encarnado, com outras virtudes, outras habilidade, e assim por diante. Cada um completamente diferente dos outros, em virtude das escolhas e conhecimentos que fez. De tal forma que nós apresentamos a mais absoluta variedade. E tudo dentro do Fluido Cósmico Universal.

Então, o mundo espiritual é invisível, obscuro, imponderável (não conseguimos medir).
Nós não possuímos as bases do mundo invisível e espiritual… Não sabemos do é feito…

O futuro nos reserva o conhecimento de novas leis, que nos permitirão compreender o que continua sendo um mistério.
Pode ser que o Eletromagnetismo explique muito do que Mesmer teorizou e depois Allan Kardec explicou com sua hipótese?

SIM!!!

Mas pode ser que o futuro nos diga que esse mecanismo seja todo diferente disso…

Fonte: Kardec, Allan, GÊNESE – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo, capítulo XIV – Fluídos, capítulo III, capítulo I; Kardec, Allan Livro dos Espiritos questão 223 e seguintes; Palestra proferida por Paulo Henrique de Figueiredo em 01/02/2021; Canal Espiritismo Para Todos, Estudo da Gênese por Allan Kardec; FEB – https://www.feeb.org.br/index.php/institucional/artigos/372-biografia-de-mesmer ; Figueiredo, Paulo Henrique Mesmer. A ciência negada do magnetismo animal ; https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/2/o-livro-dos-espiritos/64/parte-primeira-das-causas-primarias/capitulo-ii-dos-elementos-gerais-do-universo




Karma e Espiritismo

Karma e Espiritismo são como água e óleo: não se misturam. Cuidado com as pessoas que pregam a doutrina do karma dentro do meio espírita, pois o entendimento da Doutrina Espírita vai no sentido oposto: não estamos encarnados para pagar nada a ninguém, porque não devemos nada a ninguém, muito menos a Deus!

Encarnamos para vivenciar nossas escolhas e com elas aprender, através de provas e dificuldades, mas também através de abençoadas oportunidades, qual é a de ter o contato com o Espiritismo, que alavanca nosso progresso em muitos degraus, quando bem entendido e vivenciado.

Tudo faz parte de escolhas nossas, inclusive, na maior parte das vezes, a nossa forma de morrer. Mas, nisso, não há Karma. “Mas Paulo, fulano disse que as pessoas morreram queimadas na Boate Kiss porque mataram outras queimadas em outras vidas!”

Sinto dizer, mas fulano está quase totalmente errado. Que Deus seria esse, que castiga a ignorância na mesma moeda, à moda de Talião, em uma forma que nada ensina a ninguém? Isto posto, quero dizer: sim, existem Espíritos que ESCOLHEM castigos, seja durante a vida, seja na forma de morrer, por ACREDITAREM no karma e não saberem lidar com a culpa sobre seus erros. Veremos isso em O Céu e o Inferno, Segunda Parte, Capítulo VIII: tendo matado sua esposa emparedada, na vida precedente, mesmo tendo sido por ela perdoada, PLANEJOU uma morte horrível a fim de tentar se livrar dessa culpa. Vejam: planejou! E precisava? Não, porque na vida atual, foi bom homem, ou seja, buscou APRENDER a ser uma pessoa melhor.

Entende? Não estamos aqui para pagar dívidas, mas para aprender a sermos Espíritos mais felizes, através do abafamento de nossas imperfeições através do aprendizado! E isso, muitas vezes, é feito através de duras penas, inclusive no contato difícil com uma pessoa a quem, no passado, fizemos algum mal, e que, ainda sofrendo seus efeitos, tentamos auxiliar em uma nova encarnação. Mas, vejam: é questão de escolha consciente.

É nesse sentido que a Terra está deixando de ser um planeta de provas e expiações para ser um planeta de regeneração, pois a expiação consiste justamente no tipo de escolha de Antonio B, ou do assassino Lemaire (capítulo VI), enquanto que Espíritos melhor esclarecidos escolhem não apenas sofrer na pele, mas, sim, oportunidades melhores de aprenderem. E, junto a isso, chegamos ao tema da educação proposta por Pestalozzi, a cada dia mais tão necessária e importante.

Portanto, chega de se culpar. É claro: se fizemos um mal que ainda existe no momento em que nossa consciência desperta sobre ele, busquemos, sim, repará-lo, mas através do trabalho, e não da auto-flagelação. E isso vale para qualquer momento, seja na carne, seja na erraticidade. O que realmente importa é aprender, desenvolver melhores hábitos, desenvolver em si a humildade e a caridade. Isso sim interrompe o ciclo do mal e da dor.




O Livro dos Espíritos é a “Bíblia dos Espíritas”?

Hoje cedo me deparei com exatamente essa opinião, em uma discussão em certo grupo do Youtube. Compreensível que muitas pessoas a tenham, por não entenderem o que é o Espiritismo, mas inquestionável que só pode emiti-la aquele que não se dedicou a ler, sequer, a introdução de O Livro dos Espíritos – que dirá as demais obras de Allan Kardec. Mas, antes de adentrar por tais caminhos, vamos aqui fazer uma introdução explicativa ao assunto.

A Bíblia

Em primeiro lugar, é preciso compreender o que é, de fato, a Bíblia: um compêndio doutrinário constituído de histórias, afirmações e opiniões do homem a respeito da divindade e da Espiritualidade. Não podemos objetar, porém, que não tenha sido adulterado em diversos pontos pelos interesses pessoais e de grupos diversos, como o fez a Igreja Católica Romana em episódios historicamente conhecidos. Assim, em resumo, é uma obra repleta de muita moralidade, mas também permeada de erros humanos por toda a parte, inclusive introduzidos por uma interpretação anacrônica tanto da história, como da cultura e da língua original. Sabemos, hoje, que sobretudo no Velho Testamento, mas também no Novo Testamento, a linguagem era repleta de neologismos e figuras que, para aquele povo, naquela época, faziam todo sentido.

Há, ainda, uma enorme diferença entre os dois livros que compõem a Bíblia – O Velho Testamento e O Novo Testamento – posto que, entre eles, há um espaço de séculos que introduziram nova mentalidade na humanidade. No primeiro momento, os “textos sagrados” são repletos de ideias ainda mais atrasadas e permeados de leis e afirmações humanas, inaceitáveis nos dias atuais, que, naquele tempo, tinham a finalidade de legislar com poderes divinos sobre um povo que não tinha a menor capacidade de entender conceitos que, mais tarde, seriam aceitáveis. Já o Novo Testamento carrega um enorme conteúdo moral, inatacável em sua essência, ensinado e exemplificado por um Espírito Puro, conhecido por nós como Jesus. Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, se ocupa apenas do Novo Testamento, por seu grau de elevação, deixando o Velho Testamento de lado.

A grande questão é que, através dos tempos, com adulterações ou não, a Bíblia, em seu todo, foi sempre utilizada como “palavra da salvação”, que deveria ser obedecida cegamente. Justamente aí as religiões encontraram largo campo para disseminarem as suas ideias próprias, introduzindo os diversos dogmas que, em verdade, não estavam lá, a fim de comandarem seus fieis segundo seus interesses políticos e materiais particulares.

O Espiritismo

Diferentemente da Bíblia, que nasceu de relatos e histórias de poucos homens, a teoria espírita, que constitui uma Ciência Filosófica, nasceu da observação racional dos fatos espalhados sobre todo o globo e por todos os tempos. É justamente sob essa autoridade que Kardec vê espaço e necessidade de buscar trazer à compreensão espírita os fatos ou as histórias narrados na Bíblia. O estudo aprofundado do Espiritismo nos demonstra, como sempre, que Allan Kardec não pode ser considerado “pai” ou “profeta” do Espiritismo, como nenhum outro poderia, pois sua qualidade foi apenas a de um pesquisador, como tantos outros, que, frente a uma “nova” descoberta, se coloca a analisá-la com paciência, persistência e método, juntando as peças de um quebra-cabeças para compor uma imagem que, em suas peças separadas, não pode ser compreendida ou que não faz sentido algum.

O Livro dos Espíritos foi a primeira obra por ele concluída, nascida de um vasto estudo sobre as diversas mensagens espirituais obtidas antes e após o início de seus estudos. Ainda assim, entre a primeira edição e a segunda há enormes diferenças, sobretudo em conceitos que foram posteriormente investigados mais a fundo e complementados ou corrigidos. Mas como Kardec realizava tal estudo?

O Estudo Metodológico do Espiritismo

O mundo dos Espíritos não pode ser vislumbrado como nós vemos o nosso mundo. Ele não produz os efeitos que em nossos sentidos produzem a matéria densa que constituem o nosso mundo: o ar, invisível aos olhos, através do vento é sentido pelo tato; o sabor é sentido pelas papilas gustativas; a luz é captada pelos olhos e processada pelo cérebro. Contudo, o mundo dos Espíritos só pode ser perebido por sentidos especiais, que constituem aquilo que chamamos mediunidade.

Na mediunidade existem diversos tipos de sentido – para fazer uma aproximação com o mundo que entendemos – e que dão, aos seus “portadores”, as capacidades de sentir e de se comunicar, ou de dar comunicação, aos seres que constituem esse mundo, sendo que esses seres são os Espíritos, mais ou menos libertos da matéria e mais adiantados e superiore ou bastante atrasados e inferiores. Através das mediunidades, podemos constatar a existência de algo acima do mundo material, de uma inteligência que sobrevive à matéria, sendo que algumas delas, como diversos pesquisadores, além do próprio Kardec, se mostram de forma apenas questionável pelo pior dos orgulhos, tais como são a mediunidade de efeitos físicos e o sonambulismo. A primeira obtem efeitos físicos sem grande extensão moral, enquanto que, na segunda, o conteúdo moral é muitas vezes vasto, totalmente fora das capacidades e dos conhecimentos do médium que a transmitem. Mas reservaremos esse assunto a outro artigo.

Importa dizer que era sobretudo nos médiuns sonambúlicos e nos psicógrafos mecânicos que Kardec mais buscava as comunicações, por percebê-las mais ricas e menos suscetíveis aos conteúdos próprios. Ainda assim, como pesquisador, Kardec sabia muito bem que não podia confiar apenas na opinião de um ou outro médium ou um ou outro Espírito: precisava buscar na generalidade e na concordância dos ensinamentos dos Espíritos a base inabalável da Doutrina Espírita:

Generalidade e concordância no ensino, esse o caráter essencial da doutrina, a condição mesma da sua existência, donde resulta que todo princípio que ainda não haja recebido a consagração do controle da generalidade não pode ser considerado parte integrante dessa mesma doutrina. Será uma simples opinião isolada, da qual não pode o Espiritismo assumir a responsabilidade.

Essa coletividade concordante da opinião dos Espíritos, passada, ao demais, pelo critério da lógica, é que constitui a força da doutrina espírita e lhe assegura a perpetuidade.

Allan Kardec – A Gênese

E não poderia ser diferente, afinal, do ponto de vista do pesquisador, o mundo dos Espíritos é inatingível e impossível de ser sondado e analisado. Façamos um breve esforço de imaginação: digamos que, querendo nos mudar para outro país, sem que o conheçamos, queiramos colher o máximo de informações a respeito desse lugar e do seu povo. Digamos que não tenhamos acesso à Internet e que dispomos apenas do meio telefônico. Pegamos um número de um habitante desse país e ligamos para ele – claro, pensamos que ambos falam uma mesma língua – a fim de obter um relato desse lugar: como são as pessoas lá? São boas ou más? Há violência ou não? Poderei contar com apoio ou não? Bem, é fácil se supor que o relato dessa única pessoa estará alinhado com sua capacidade de percepção cultural, política, educacional, histórica, social e mesmo com suas tendências e concepções próprias. Pode ser, aliás, que tenhamos inadvertidamente ligado para um criminoso, sem que o saibamos. Vamos, então, fiar nossa decisão ou nossa concepção daquele povo através de apenas um único relato? É claro que não: precisamos, nesse quadro, ligar para muitas outras pessoas, analisar obras bibliográficas e artísticas produzidas por seus habitantes, etc.

É exatamente o mesmo que Allan Kardec realizou, analisando incontáveis comunicações obtidas de todos os lados, por incontáveis médiuns e por incontáveis Espíritos, tirando, disso tudo, conclusões racionais e lógicas, postulados e, às vezes, teorias científicas, que somente estudos futuros poderiam sancionar ou derrogar.

Conclusão

Poderíamos, verdadeiramente, passar horas e horas falando muito mais sobre os estudos de Allan Kardec, mas o fato é que já existe muito material a respeito disso, sobretudo na obra do próprio Kardec que, como sempre demonstrava, não tinha um conteúdo nascido de suas próprias ideias. Deixamos ao leitor essa busca necessária. Nos limitamos a encerrar este artigo, depois de toda essa abordagem anterior, demonstrando que o Espiritismo não uma religião e que, como Ciência é uma Doutrina que apresenta seus estudos e suas conclusões, de forma racional e lógica, e deixa a cada um a tarefa que raciocinar por si mesmo sobre todo o conteúdo apresentado. Ora, como mesmo as Ciências Modernas, tão bem estabelecidas, encontram seus dissidentes com suas ideias mais absurdas, o Espiritismo não poderia esperar menos. Ainda assim, é questão de liberdade de cada um.

Nós, espíritas, acreditamos no Espiritismo não por medo ou imposição, mas, sim, porque compreendemos de forma natural a racionalidade contida nessa Doutrina Científica. Acreditamos na reencarnação não por provas incontundentes, mas por uma racionalidade incontundente; acreditamos na existência dos Espíritos e na sua comunicação conosco também pela razão, mas também pela seriedade dos pesquisadores que já se lançaram a estudar as manifestações com grande cuidado e que, por si próprios, constataram provas irrefutáveis de tal existência; mas não acreditamos de forma cega nos ensinamentos dos Espíritos, muito menos em qualquer suposto fenômeno. O próprio Kardec asseverava: O Espiritismo deve andar de mãos dadas com a Ciência. Se, um dia, esta desmentir alguns postulados de sua Doutrina, devemos abandoná-los e ficar com a Ciência. Ora, pelo contrário, a Ciência Moderna vem a cada dia mais se aproximando e dando confirmação aos postulados espíritas, assim como a Ciência do século XIX e início do século XX o fez.




Confissões de Luis XI

Durante o ano de 1858, Ermance Dufaux recebeu algumas autobiografias mediúnicas. Entre elas, os autores foram os reis franceses Luís XI e Carlos VIII. Allan Kardec elogiou o trabalho da Srta. Dufaux e transcreveu trechos das “Confissões de Luís XI” na Revista Espírita. Nesse mesmo ano, Kardec divulgou três mensagens psicografadas pela jovem sensitiva.

Esta comunicação especificamente não parece ter muita relevância para nós, neste momento. São fatos históricos, utilizados para evidenciar a autenticidade do Espírito comunicante. Destacamos que Luís XI não é São Luís, o Espírito que sempre se comunicava como um dos “mentores” dos estudos de Kardec.

Além deles, ela recebeu autobiografia mediúnica de Joana D’arc, ja mencionada na edição da RE de janeiro de 1858

Para quem quer saber mais sobre a Srta. Ermance Dufaux, clique aqui

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Finalidade de Certas Evocações

Nesse artigo, Kardec demonstra a utilidade da evocação dos Espíritos de todos os gêneros, desde os Espíritos com intuito sério e construtivo até os que cometeram crimes hediondos, pois, “para conhecer os costumes de um povo, é preciso estudá-lo em todos os graus da escala”.

Sendo assim, há sempre o impasse, pois Espíritos superiores tem muito a ensinar, mas nossa distância com relação a eles é bastante grande. Os Espíritos mais “burgueses”, ou seja, Espíritos como nós, mais comuns, presos ainda às preocupações cotidianas, apresentam muitos ensinamentos importantes, por nos tornar capazes de nos vermos em suas próprias ações e seus efeitos. Todos nos mostram a aplicação prática das grandes e sublimes verdades, cuja teoria nos ensinam os Espíritos superiores.

Outra vantagem de algumas evocações é constatar a identidade dos Espíritos de modo mais preciso. Quando um Espírito se apresenta sob um grande nome do passado, só é possível crer sob palavra e julgar seu conteúdo sobre o que se conhece. Se o conteúdo atende aos critérios necessários, julgamo-lo Espírito superior, e isso basta. O nome não importa realmente.

Contudo, quando um Espírito de menor evolução se apresenta e dá detalhes que comprovem sua identidade, teremos, aí, grandes exemplos muito “palatáveis”: “é o romance dos costumes da vida espírita sem a ficção”.

Discutimos, também, sobre as nossas vivencias pessoais a respeito de evocações de familiares e amigos.

Particularmente, temos sempre que tomar muito cuidado quanto ao conteúdo do Espírito comunicante, pois ele pode não ser quem diz quem é. Algumas comunicações trazem algum consolo a nós.

A seguir, 3 evocações de 3 Espíritos diferentes: o primeiro é o Assassino Lemaire ( cerca de um mês após desencarne); A Rainha de Oude ( cerca de um mês após desencarne) e Dr. Xavier ( evocação depois de muitos meses após desencarne).




Dr. Xavier

O Dr. Xavier foi um médico de grande talento e que havia se ocupado muito do magnetismo, sobre o qual havia deixado um manuscrito que supunha que viesse revolucionar a Ciência. Antes de morrer havia lido O Livro dos Espíritos e desejado um contato com Allan Kardec, o que não pôde realizar. Meses após sua morte, ocorreu sua evocação, à pedido da família, sendo esta realizada na presença de Kardec. Ele tomou o cuidado de excluir, nesta publicação, as perguntas e respostas de caráter particular.

Observação: a comunicação contém acertos e erros, por parte do Espírito. Kardec apresenta ambos, pois quer nos levar a constatar e a refletir sobre o fato de que o Espírito não se torna sábio ao desencarnar.

nosso comentário

Depois de evocado, Dr. Xavier respondeu às indagações sobre a Doutrina Espirita, sobre o começo da vida, sobre a união do Espirito ao novo corpo, assim como a desunião do Espirito no fim da vida do corpórea.

Dr. Xavier disse que a Doutrina Espirita é uma grande obra, sendo que o seu pior inimigo são as religiões, crenças dos homens. (N. da Autora: Tão atual… Podemos observar que não mudou muita coisa desde então… )

Quando Dr. Xaier foi perguntado sobre o corpo conservar por alguns instantes a vida orgânica após a separação da alma, ele disse que o corpo sente o que lhe provocou a morte somente por alguns instantes.

Na hora da separacão, ele disse:

Perg. 21 – Como se opera a separação entre a alma e o corpo na hora da morte do corpo?

Resp. Dr. – Como um fluido que escapa de um vaso qualquer. 

Perg. 22 – Há uma linha de demarcação realmente nítida entre a vida e a morte?

Resp. Dr. – Esses dois estados se tocam e se confundem; assim, o Espírito se desprende pouco a pouco de seus laços; ele os desenlaça, não os arrebenta.

Perg. 23 – Esse desprendimento da alma opera-se mais prontamente em uns do que em outros?

Resp. Dr. – Sim: nos que em vida já se elevaram acima da matéria, porque, então, sua alma pertence mais ao mundo dos Espíritos do que ao mundo terrestre.

Perg. 23 – Em que momento se opera a união entre a alma e o corpo na criança?

Resp. Dr. – Quando a criança respira; como se recebesse a alma com o ar exterior.

RE março 1858, Dr. Xavier

Observação (Allan Kardec) – Essa opinião é consequência do dogma católico. Com efeito, ensina a Igreja que a alma não pode ser salva senão pelo batismo; ora, como a morte natural intrauterina é muito frequente, em que se tornaria essa alma, privada, segundo ela, desse único meio de salvação, se existisse no corpo antes do nascimento? Para ser coerente, seria preciso que o batismo fosse realizado, se não de fato, pelo menos de intenção, desde o momento da concepção.

Nossa observação – A teoria dada por esse Espírito sobre o instante da união entre a alma e o corpo não é absolutamente exata. A união começa desde a concepção, isto é, a partir do momento em que o Espírito, sem estar encarnado, liga-se ao corpo por um laço fluídico, que cada vez mais se vai apertando até o instante em que a criança vê a luz. A encarnação só se completa quando a criança respira.

Segue a conversa com o Espírito de Dr. Xavier sobre a vida intrauterina, sobre o aborto espontâneo e o provocado, sobre como o acontece ao Espirito nessas situações, enfim, sobre a união da alma e do corpo. Este entendimento completo e muito bem explicado está no Livro dos Espiritos, de Allan Kardec, cap VII – Da volta do Espírito a Vida Corporal, União da alma e do Corpo, da questão 344 a 360.

Além das passagens citadas do Livro dos Espíritos, sugerimos consultar o O Céu e o Inferno, Allan Kardec, Segunda Parte: Exemplos, capítulo I. O passamento, Editora Feal onde há uma extensa explicação sobre o que discutimos na LIVE.




A Rainha de Oude

A Rainha de Oude foi evocada. Ela foi uma Rainha Indiana( seu nome era Malika Kishwar) que havia visitado a Inglaterra. Na sua viagem de volta a India, acabou por adoecer e morrer em Paris, no ano de 1858. Mais detalhes aqui Rainha de Oude Daqui para frente vamos chamá-la de rainha.

A rainha se apresentou muito perturbada, sentindo dificuldade de entender o que se passava com ela. Pela sua conversa, pudemos perceber a sua soberba e orgulho. Foram feitas várias perguntas quanto a sua opinião da sua vida terrena, das condições da mulher, da vida dos indianos, sobre Maomé, Deus, Jesus, mas ela disse que era muito poderosa para se ocupar com Deus.

Ela disse que sentia saudade da vida, que esperava que seus súditos viessem lhe sevir. Ela falou mais de uma vez que era sempre rainha, mesmo em outras existencias. Ela era extremamente arrogante.

A rainha, além de perturbada, parecia bem incomodada com as perguntas, o que foi questionada. Ela disse que foi forçada a vir:

Perg. 22 ─ Por que acudistes tão prontamente ao nosso apelo?

Resp. Rainha: – Nao queria fazê-lo, mas forçaram-me. Acaso julgarás que me dignaria responder-te? Quem és tu ao meu lado?

Perg. 23 – E quem vos forçou a vir?

Resp. Rainha: – Eu mesma não sei… posto que nao deve existir ninguém maior do que eu.

A Rainha de Oude, RE março/1858

A conversa cessou assim que teve a intervenção do Espírito de Sao Luis:

Perg. 32 ─ Pedimos apenas a bondade de responder ainda a duas ou três perguntas.

Resp. São Luis – ─ Deixai-a, pobre transviada! Tende piedade de sua cegueira. Que ela vos sirva de exemplo! Não sabeis quanto sofre o seu orgulho.

Pensávamos encontrar nesse Espírito, se não a filosofia, pelo menos um mais verdadeiro sentimento da realidade e ideias mais sadias sobre as vaidades e grandezas terrenas. Longe disto, nela as ideias terrenas conservavam toda a sua força: é o orgulho, que nada perde de suas ilusões.

Esta descrição de evocação se encontra também no livro O Céu e o Inferno de Allan Kardec, Segunda parte, cap. VII – Espíritos Endurecidos.